Acordei, almocei e saí. Encontrei com minha mãe e fomos comprar roupa. Uma coisa que eu realmente gosto de fazer é sair pra olhar as vitrines. Mas não com minha mãe. Ainda mais quando nossos genios não estão se batendo muito bem. Foi um inferno. literalmente. Calor de 40º, pessoas saindo para almoçar, rua cheia. Ficamos umas 2h andando. Após muita faísca, sol e tira e bota de roupa, compramos 5 peças. 2 calças, 3 blusas. Gostei das roupas, mas não valeram o sacrifício. Em fim.
Depois fomos para a entrevista com a analista. Ou seria minha entrevista com minha mãe e a analista? ou seria ainda entrevista da minha mãe comigo e com a analista? ou da analista comigo e com minha mãe? tá, isso não importa agora. O que importa é que estávamos nós três, dentro de uma sala (graças a deus com ar condicionado) falando sobre as coisas mais variadas. O clima tava tenso. Já estava entre eu e minha mãe. Ficou pior com a analista nos "instigando". Foi dificil. E muiiiito cansativo. Toda aquela conversa sobre eu não ter desejos e viver calada. Porra! Quem são elas para dizer se eu tenho ou não desejos?! Quem são elas para dizer ou não se eu estou calada?! Que saco!
Qual problema se eu não gosto de ficar tagarelando pela casa?! Qual o problema se eu não tenho tantos sonhos quanto elas?! Pq isso é um problema? Pq tenho que agir, pensar, falar e sonhar do jeito que as pessoas esperam que eu aja, pense, fale e sonhe? Pq não posso ter meu próprio jeito de viver a vida que vem logo alguém dizendo que estou em depressão ou que isso não é normal?! Puta que pariu! É a mesma sensação que tive com "Os Infiltrados". A sensação de não ter escola. Nunca. A sensação de não poder escolher como levar a própria vida. De não ter escolha de querer ou não criar um futuro e ter sonhos. Como se eu não tivesse o direito de viver somente o agora, o presente, sem ficar fazendo planos pro futuro. To cansada das pessoas ficarem me dizendo o que eu tenho que fazer e sonhar. Quero ter meus próprios sonhos, e na hora em que EU quiser te-los. É pedir muito isso? É? É?!
"Queremos saber
O que vão fazer
COm as novas invenções
Queremos saber quando vamos ter
Raio-lazer mais barato
Com isso se faz necessário
Prever qual o itinerário da ilusão
A ilusão do poder
Pois se foi permitido ao homem
Tantas coisas conhecer
É melhor que todos saibam
O que pode acontecer
Queremos saber
Queremos saber
Todos queremos saber"
Ou algo assim.
Alguém já teve a sensação de que não tinha o menor controle sobre a própria vida? Que por mais que se crie a ilusão de poder fazer escolhas, na verdade é só ilusão? Algo como um Show de Trumman ou a Lenda de Édipo. Que por vezes, não adianta lutarmos ou tentarmos fazer escolhas, sempre há algo maior que nos manda para outro caminho? Deus? Coincidencia? Sorte? Não sei mais no que acreditar.
Pior.
Não quero mais acreditar. Em nada. Só quero viver minha vida, aproveitando cada dia da melhor forma possível. E da mais fácil também. Não estou com a menor vontade de fazer o que é "melhor". Ou o que é "certo". Só quero fazer o que estou afim, o que vier. Quero poder dizer Não. Quero poder não querer algo. Só isso. É pedir muito?
Chega disso. Não quero relembrar cada segundo desse dia infernal. Infernal...
"Eu juro, eu te amo desde que eu nasci
Procuro e não encontro nada igual
Sou surdo e após sua voz ouvir
O mundo que era meu criado-mudo
Que era onde cabe tudo
Que era certo em ferro e chumbo
Que era reto, enxergo curvo
Porque a era do futuro
Você trouxe para mim infernal...
Um sorriso você foi desenhar na palma da mão
E o drops Dulcora dissolve e descobre que o paraíso
Estava onde eu achava que não
No céu achava que não e que não
O céu não acaba, achava que era o chão..."
Amo essa musica. Aliás, tenho ouvido muita Cássia Eller nos últimas dias. Acho que as musicas delas me acalmam um pouco. Tipo, me deixam mais tranquila. Acho que por mostrar que o mundo está do jeito que está a muito tempo. Que não é agora e nem amanhã que vai mudar. E assim, vou aprendendo a conviver com ele. Já que não tenho escolha né?
Consegui escrever o e-mail pra Will! Aliás, essa foi a melhor coisa que aconteceu hj. E também ter conseguido falar com a Lah. E ter lido o capítulo 3 da fic dela. A festa tá chegando... ops. não resisti. =) Preciso comprar o restante da minha roupa de hippie rsrs
Amanhã vou ver o desfile das escolas campeãs do carnaval. Eu, minha avó e Puru. Espero que seja um dia melhor que o de hj. Que aliás, já deveria ter acabado a tempo.
Vou indo. Ou ao menos por enquanto.
=***

2 comentários:
Não acredito q vc ainda gosta de carnaval...
o-o
Te respondi o e-mail...
Dia cheio hein...
=] meu irmão ta me apressando...
Bem...
Quanto aos seus problemas com sua mãe >.<' acho que um dia eles se resolvem..
e acho que nesse dia vcs já estarão longe uma da outra...
d qqer forma =/ melhor tentar não piorar a situação neh?
=*
Will
De fato, você é que sabe dos seus desejos, e o problema é seu. Mas se você não contar seus desejos pra ninguém, as pessoas vão pensar que você não tem desejos. O problema é delas? Certo, é delas. Mas, depois, não fique reclamando que elas acham que você não tem desejos. Ainda que não seja verdade que você precisa de qualquer jeito contar seus desejos pros outros, também não é verdade que você não pode de jeito nenhum contar os desejos pros outros. É como dizia o velho Hegel: "A consciência de si é em si e para si quando e porque é em si e para si para uma outra." (A interpretação do famoso Kojeve: "O homem é o desejo de um desejo") Quer dizer: todo mundo é alguém, mas, para ser alguém, é necessário outras pessoas, amigos, família, escola, sociedade, Fundo Monetário Internacional, etc.
p.s.: Maneiro o nome do seu blog. WAHAHA. Só uma obs de cunho didático: em inglês, "Hell" não precisa de "The", porque não faz sentido falar "The Hell", porque só existe um inferno. Basta dizer "Hell" que todo mundo já sabe onde é.
Sem querer ser muito metido, acaba de me ocorrer o seguinte: o nome do seu blog e o subtítulo é muito interessante e literário (você devia ler alguma coisa do Kafka e, depois, alguma coisa do Joseph Conrad, ou vice-versa). Mas fiquei pensando que ele espelha aquele papo dos desejos, hein? Que sinistro!
Pensa só:
Você acha que não precisa contar seus desejos pra ninguém....
....e ao mesmo tempo acha que não vale a pena descrever uma coisa que todos já sabem o que é!
Mas a questão é: como vamos saber que todos já sabem o que a coisa é se não a descrevermos??
É por isso que o velho Oscar Wilde (estou cheio de citações, hein? que metido) disse: "É indispensável dizer o óbvio". (Aliás, vocês deviam ler Oscar Wilde também. "O retrato de Dorian Gray". Tem tudo a ver com esse mundinho sovina em que a gente vive.)
Nada disso invalida a excelente tirada do subtítulo do seu blog. Mas, se me permite, gostaria de oferecer uma resposta, ainda que de cunho retórico:
Pergunta: "Para que descrever uma coisa que todos já sabem o que é?"
R: "Para nada. Mas eu não preciso de razão para descrever as coisas. E aí, vai me batê? Vai encará? Vô descrever a parada toda, cumpadi! E vocês vão tudo tê qui ficá vendo até o fim!"
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